Jornal Zero Hora, 27.fevereiro.2008
O financiamento para educação está se tornando tão comum como o utilizado na compra de um carro ou de um imóvel. Com a economia estabilizada e os juros mais baixos, não é mais preciso comprovar carência para obter um crédito educativo e nem depender da seleção do governo. No país onde apenas 40% dos jovens entre 18 anos e 24 anos que estudam estão no Ensino Superior - segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgados em 2007 - , o mercado entendeu: a faculdade ainda é a diferença entre alcançar ou não um futuro profissional.
Boa parte dos que conseguem chegar ao vestibular precisa encarar as altas mensalidades em instituições privadas. Uma graduação na Região Metropolitana custa, em média, o equivalente a dois salários mínimos regionais (cerca de R$ 900) por mês. Fazendo os cálculos, um bacharelado em Administração, por exemplo, sem os livros, despesas para freqüentar o campus e reajustes anuais, pode ultrapassar os R$ 45 mil no final da faculdade. Se o sonho for Medicina, os R$ 172 mil (mensalidade média de R$ 2,4 mil) seriam suficientes para comprar seis carros populares.
Por mais caro que seja, investir em um curso superior é sempre um ótimo negócio. Sobretudo, se a formação é a desejada, o aluno é esforçado e a mensalidade cabe no orçamento familiar. Com 80% dos estudantes brasileiros em instituições privadas - a rede de maior expressão na América Latina e Caribe, segundo o Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e Caribe, da Unesco - , o crédito virou nicho para investidores, e a opção da classe média. Para tentar atender a demanda, o governo federal também dispõe dos programas Universidade para Todos (ProUni) e o Financiamento Estudantil para o Ensino Superior (Fies). Desde 1999, já financiou 457 mil alunos que comprovam situação econômica insuficiente.
Quem não se enquadra no perfil dos programas do governo já pode considerar a iniciativa privada. Para pagar a faculdade dos filhos ou poder bancar os estudos, muitos estão buscando o Pra Valer, um crédito oferecido pela empresa Ideal Invest, que tem como sócio o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. O financiamento está disponível em 92 instituições.
- Quando a empresa começou, no ano passado, 11 mil alunos pleitearam o crédito. Hoje, contabilizamos 60 mil propostas. O interessante é que comprovamos, por meio de pesquisa, que os estudantes estão migrando ou escolhendo cursos que realmente querem fazer e que agora cabem no orçamento - diz Daniela Nakaza, da Ideal Invest.
Para o economista Gustavo Cerbasi, especialista em finanças pessoais e professor da Fundação Instituto de Administração de São Paulo, esse tipo de financiamento é hoje um bom negócio para o estudante, mas faz um alerta:
- Ao mesmo tempo que adquire um crédito, o jovem deve poupar e investir na carreira para bancar os pagamentos depois de formado.