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Hora de investir em uma boa formação

Revista Amanhã, 22.dezembro.2008

Eugênio Esber / Revista Amanhã

Diretor executivo da Ideal Invest, Oliver Mizne afirma que o momento de crise é oportuno para quem quer disputar mercado na retomada da atividade econômica

Se está difícil pagar a faculdade e começam a surgir dúvidas sobre o real valor desse tipo de investimento, convém levar em conta o que diz Oliver Mizne, diretor executivo da Ideal Invest, empresa de investimentos em educação. "Ok, 2009 será um ano mais complicado, com mais desemprego etc. O investimento em um curso de graduação mais longo exigirá sacrifícios. Mas quem puder pagar uma formação boa agora, na crise, chegará em melhores condições ao mercado de trabalho lá por 2011 ou 2012, quando a economia estiver novamente em crescimento", argumenta. Se a premissa estiver correta e o ensino superior brasileiro seguir em expansão, a Ideal Invest terá muito a ganhar - a companhia é responsável pelo maior programa de crédito universitário do país, o Pravaler. Pelo programa, o aluno de um curso de graduação presencial que dura 4 anos pode financiar o pagamento do ensino em até 8 anos.

Com um modelo de negócio que canaliza recursos de investidores para o financiamento de estudantes universitários e também de instituições de ensino superior, a Ideal Invest tem se desenvolvido rapidamente. Nos últimos dois anos o volume investido cresceu 120%. Desde a fundação, em 2001, os investimentos da empresa em educação chegaram a R$ 430 milhões. Até março, mais R$ 70 milhões devem ser aplicados para completar a cifra de R$ 500 milhões. Oliver Mizne admite que o crescimento para 2009 foi desacelerado por uma questão de prudência diante da crise econômica - e, claro, de algum acréscimo na inadimplência. Mas com o fechamento das torneiras de crédito, inclusive educativo, pelos bancos, a Ideal Invest ganha fôlego para expandir o Pravaler, que hoje contabiliza 107 mil alunos matriculados em mais de 125 instituições de ensino superior, em uma rede que abrange 14 estados.

Observador atento do comportamento do mercado educacional brasileiro, Oliver Mizne concedeu a seguinte entrevista ao Portal AMANHÃ.

Por que o senhor avalia que esse momento de crise é oportuno para quem quer investir em um bom curso de graduação?
2009 será um ótimo ano para começar a fazer uma boa universidade e uma boa graduação porque o estudante vai sair da faculdade em 2012, muito provavelmente com o Brasil em uma situação bem melhor do que a atual. Nesse momento, vai ser importante ter uma formação boa. É claro que 2009 vai ser um ano mais difícil, vai ter mais desemprego, será um sacrifício investir em um curso mais longo. Mas acontece que o estudante vai competir por emprego em 2011, 2012. Por isso penso que é interessante investir em uma formação boa. É uma coisa que você leva para a vida inteira. Vai ser interessante ver quantas pessoas terão a visão de aproveitar a crise para estudar e vou fazer um curso legal. Quem aproveita a crise para estudar normalmente se dá bem na saída.

Há mudanças no perfil dos cursos que estão sendo mais procurados?
Um fenômeno que a gente viu em 2008, comparativamente a 2007, é uma procura maior por programas bem específicos. Caiu um pouco a demanda por cursos generalistas, como Administração, e subiu um pouco a procura por cursos do tipo Gestão de Tecnologia de Petróleo. Ou então por esses cursos que a Anhembi-Morumbi lançou aqui em São Paulo, que duram menos. A demanda por cursos de curta duração cresceu bastante em 2008 comparado com 2007. E num ano em que se tem menos dinheiro disponível, como 2009, eu imagino que o estudante pensará assim: será que eu quero investir por 4 anos ou por 2 anos?

E o ensino a distância?
Acho que é um negócio que vai crescer muito. Nem bem começou e já está razoavelmente grande. E acho que tem um apelo enorme. Você não precisa se deslocar, você tem o respaldo de marcas boas. Há muita gente investindo para ter um curso excelente. Quase todo mundo hoje tem banda larga, o acesso é mais fácil, a comodidade é absurda. Além de, no Brasil , o ensino a distância ter sido precificado mais barato por uma decisão do mercado.

As fusões e aquisições continuarão em alta entre as escolas e universidades brasileiras?
Acho que continuarão, sim. Ainda há muito espaço para fusões e aquisições no setor. Elas não chegaram nem perto do teto. Agora, uma coisa que dá para dizer é que, com menos capital disponível, as fusões vão ficar mais pensadas. E os valores normais das operações de fusões e aquisições serão menores.

Instituições em dificuldades, que não foram vendidas no momento virtuoso da economia, estarão agora diante de um cenário econômico mais hostil, compelidas a procurar um comprador?
Depende. Nem todo mundo tem tanta necessidade de dinheiro assim a ponto de entregar o patrimônio quase de graça. Às vezes a situação é outra: o empreendedor estava precisando de caixa porque ele iria fazer uma série de investimentos. E se o investimento é postergado, então não há tanta necessidade de caixa. De repente, tudo aquilo que você planejou para uma fase de crescimento em 2009 (mais um andar no prédio, a reforma do ginásio etc) agora não parece tão urgente assim. Não acho que o único jeito de se ter dinheiro seja vendendo a instituição. Há faculdades que estão sem dinheiro e resolvem isso gastando menos, investindo menos. Se o mercado está pagando pouco, é melhor esperar.

 

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