Correio do Povo On-line, 10.julho.2009
Representantes de 148 países discutiram novas dinâmicas e pesquisa acadêmica
Uma das conclusões do documento final da Conferência Mundial da Educação Superior, promovida em Paris pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Tecnologia (Unesco), é que 'a Educação Superior, sendo um bem público, é responsabilidade de todos os protagonistas do setor, em especial os governos de cada país'. O ministro da Educação, Fernando Haddad, relatou que a conferência foi aberta com debates voltados à crise econômica mundial e à decorrente falta de recursos para o setor, além de tratar de pontos polêmicos sobre a intervenção de instituições privadas e a internacionalização. Ele revelou que os três dias de encontro, que se encerraram na última quarta-feira, permitiram avançar e chegar a um texto final com ideias que refletem mais a realidade dos países participantes.
Dentre os pontos abordados, o ministro destacou que o documento final cita a importância da 'criação e reforço de sistemas apropriados de garantia de qualidade e marcos regulatórios que envolvam todos os protagonistas da Educação Superior'. As polêmicas em torno da internacionalização e da globalização foram sanadas pontuando-se que 'as redes de universidades internacionais são uma parte da solução', e ainda que 'a globalização reafirmou a necessidade do estabelecimento de sistemas de acreditação nacionais e de garantia de qualidade, para promover a troca de contatos'. A principal conclusão do documento fica na proposta da Educação Superior como 'bem público e estratégia imperativa a todos os níveis da Educação'. A base para pesquisa, inovação e criatividade deve ser questão de responsabilidade e suporte econômico de todos os governos. A íntegra do documento da Conferência Mundial da Educação Superior estará disponível no site www.unesco.org/en/wche2009.
Em seu discurso na conferência, Haddad apontou a necessidade de reforçar o papel do Estado como órgão regulador para que as discussões sobre avaliação e internacionalização tenham poder de ação concreta. O ministro destacou ainda a importância da gratuidade na oferta de Ensino Superior em países subdesenvolvidos. Ele falou também na necessidade de combater o corporativismo nas instituições e a ação das 'fábricas de diploma', que prejudicam os alunos com cursos de baixíssima qualidade. Para o ministro, um sistema de Educação Superior robusto deve partir do Estado, com sistemas de avaliação nacionais. Sem eles, de acordo com Haddad, a globalização do Ensino pode ser considerada uma ameaça às soberanias nacionais, porque é na universidade que se criam as ideias para desenvolver o país.
Evento e temáticas
Durante três dias (de 6 a 8/7), quase mil representantes de órgãos governamentais, universidades, sociedade civil e entidades privadas de 148 países discutiram as novas dinâmicas da Educação Superior e da área da pesquisa para mudanças e desenvolvimento da sociedade.
Os debates da conferência giraram em torno de questões como responsabilidade social da Educação Superior; acesso, igualdade e qualidade; internacionalização, regionalização e globalização; estudos de pesquisa e inovação.