Jornal do Comércio, 31.agosto.2009

Patrícia Comunello
Maior oferta de financiamento para bancar a faculdade da clientela das classes C e D, e por que não da E, poderá turbinar a briga por alunos. Há escassas opções de crédito educativo fora do sistema público, cujo carro-chefe é o Fies. Estima-se que 7% dos valores pagos às instituições sejam custeados por linhas de crédito. O diretor da Ideal Invest, que lançou em 2006 o produto Pravaler, com foco principal no Ensino Superior, Carlos Furlan, calcula que apenas 1% tenha origem no setor financeiro privado. Segundo Furlan, a manutenção da queda dos juros básicos barateará as linhas. Em mercados como o norte-americano, 85% dos estudantes possuem financiamento.
Para o diretor da Ideal, que pertence ao banco ABC, a expansão dessa modalidade é item de sobrevivência da atual onda de crescimento do ensino privado brasileiro. “Há demanda de alunos, mas há ociosidade de 1,3 milhão de vagas”, confronta Furlan. Desde 2006, a empresa já repassou R$ 127 milhões. No Estado, tem 11 clientes entre as principais instituições do setor. No País, o número é de 173, somando 1 milhão de matrículas.
Na Capital, o estudante Cláudio Rafael Morel Dias, que cursa Direito no IPA Metodista, teve a chance de retomar a faculdade em 2008 ao contratar o crédito educativo. “Antes vivia atrasando o pagamento ou não conseguia fazer todas as disciplinas”, compara Dias, que já faz estágio em um escritório de advocacia e faz planos para atuar na área Cível e Trabalhista da profissão. Para acessar o financiamento, o estudante contou com o pai como garantidor de renda e paga metade do valor. Ele saldará o empréstimo a cada semestre e terá a maior parte do passivo para ser quitado após se formar. “Sem isso não conseguiria fazer faculdade”, assegura.
Furlan aponta resistência no mercado financeiro a ser vencido. Segundo o diretor da Ideal, as instituições financeiras estão mais voltadas a crédito para aquisição de bens. Em três anos de atuação, o Pravaler registra 340 mil alunos interessados. O diretor cita que 60% a 65% são candidatos que trabalham e têm renda média mensal de R$ 900,00. Já 75% dos interessados informam que se fizerem faculdade serão os primeiros da família a ter a formação. “São pessoas que acreditam no Ensino Superior. Falta hoje aumentar.”
ERRATA: Na reportagem “Financiamento é gargalo para ampliar clientela” do dia 31 de agosto de 2009 foi informado de maneira incorreta que a Ideal Invest pertence ao Banco ABC Brasil. O correto é que a Ideal Invest é uma empresa privada e independente, que atua como correspondente bancário autorizado do Banco ABC Brasil.