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Perspectivas - Ensino Superior deve ter alta demanda nos próximos anos

Ideal Invest, 24.setembro.2009

Apesar de o Brasil estar um século atrás dos EUA em inclusão na graduação, economista faz projeções positivas.

Ideal Invest . FNESP

Durante 11º Fórum Nacional de Ensino Superior Particular Brasileiro (FNESP), o economista e cientista social conselheiro da FIESP Eduardo Gianetti afirmou que as perspectivas para o ensino superior são boas. A Educação deve ser um item de alta demanda pela sociedade num futuro próximo. “Há um século, uma família típica brasileira teria 80% do orçamento comprometido com alimentação, moradia e vestuário. Hoje, apenas 30% são destinados a estes itens. Quanto mais próspero um domicílio, mais a família gasta com educação, lazer e serviços médicos”, explica.

Além disso, o indicador de jovens entre 18 a 24 anos que estão inseridos no ensino superior brasileiro também foi discutido no evento. De acordo com Gianetti, os Estados Unidos completou a universalização do ensino fundamental no final do século 19. Isto só aconteceu no Brasil no final do século 20, com quase um século de atraso. Mais do que isso, nos Estados Unidos, a proporção de estudantes com idade média para estar na graduação era de 9% no século 20. Hoje, este indicador americano é de 40%. “Atualmente, o Brasil tem 12% dos jovens incluídos, quase o mesmo que os Estados Unidos no século passado”, comenta.

Este baixo indicador brasileiro de inserção no ensino superior está associado a várias questões. O principal ponto abordado pelo economista foi um alto crescimento demográfico. Segundo ele, em 1932, o Brasil tinha 2 milhões de jovens matriculados no ensino fundamental. Atualmente, este número é de 29 milhões. “O Brasil triplicou a sua população em 42 anos. Além disso, o número de jovens com menos de 15 anos é de 54 milhões”, critica o cientista.

Para Gianetti, se o crescimento populacional tivesse sido igual ao da Alemanha,o Brasil teria hoje 13 milhões de jovens com menos de 15 anos e um investimento per capita na formação do capital humano quatro vezes maior, com o mesmo gasto em proporção do PIB. “Tivemos um acidente demográfico que prejudicou a formação de capital humano no Brasil”, aponta.

Além do crescimento demográfico, o economista avalia que o perfil do gasto público privilegia a educação terciária, de forma distorcida. Do total investido em educação no País, 20% é aplicado no ensino superior. “E justamente quem utiliza deste recurso federal são pessoas que não precisariam dele, pois em 93% das instituições públicas 40% dos estudantes estão entre os mais ricos”, complementa.

“Trata-se de um sistema injustificável do ponto de vista da igualdade. Portanto, não há uma eficiência e qualidade de investimento do dinheiro público na educação”, avalia o economista.

 

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