Ideal Invest, 25.setembro.2009
Estudo da consultoria Hoper mostra que as classes C, D e E representam 28% das matrículas no ensino superior particular brasileiro atualmente.
Com uma amostra de 378 instituições de ensino superior privado nas cinco regiões do País, estudo recente da Hoper Consultoria mostra que a classe C representa 22,1% do alunado da graduação particular, com taxa de crescimento de 53% nos últimos quatro anos. Já a classe D compõe 4,6% deste alunado e apresenta crescimento de 95,3% no mesmo período. “Com esta taxa de crescimento é fácil identificar o potencial de demanda, pois a classe A parou de crescer há quatro anos e a classe B vem com crescimento de 29,3%”, comenta Ryon Braga, presidente da Hoper.
O executivo defende que o crescimento expressivo do ensino superior privado está ligado ao preço da mensalidade.
A pesquisa mostra que um curso de administração no Rio de Janeiro, por exemplo, com uma mensalidade de até R$ 400,00 consegue uma taxa de crescimento de 105,4%. Enquanto que o mesmo curso com mensalidade de R$ 401,00 até R$ 600,00 apresentam um crescimento de 4,1%. “O cenário mostra que é preciso buscar soluções para fazer ensino de qualidade equacionando o perfil de renda contextualizado às necessidades das pessoas”, avalia Braga.
Para o presidente, o crescimento do número de estudantes de baixa renda no ensino superior privado era um fato já esperado por todos, haja vista a queda do valor médio das mensalidades de 1998 a 2008 e criação do ProUni beneficiando quase 100 mil estudantes ao ano.
Mesmo diante deste cenário promissor para as instituições de ensino, Marlene Bregman, vice-presidente de planejamento estratégico da agência de publicidade Leo Burnett Brasil, avalia que as empresas e, consequentemente, as faculdades e universidades ainda não sabem trabalhar e se comunicar com esta parcela mais desfavorecida da população. “Empresas não podem trabalhar com uma idéia conservadora e preconceituosa quanto à base da pirâmide. Diferente do que pensam, estas pessoas são empreendedoras, querem ascensão econômica e tem capacidade de assimilação”, diz. Resultado de um estudo sobre a base da pirâmide, a executiva defende que é preciso criar modelos pensados e concebidos especificamente para este público.