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IFC fecha investimentos em saúde e educação

Valor Econômico, 16.novembro.2009

Vanessa Adachi, de São Paulo

O finlandês Jyrki Koskelo estava em Belém, no Pará, prestes a embarcar em um avião que o levaria a São Paulo, quando o blecaute deixou às escuras boa parte do país, na terça. Por sorte, o apagão não foi aéreo, a região Norte do país não foi afetada pela falta de energia e seu voo pousou em Guarulhos às 5h da manhã de quarta, com a luz restabelecida.

Em sua primeira visita ao país depois de assumir o cargo de vice-presidente do International Finance Corporation (IFC) para Europa, Ásia Central, América Latina e Caribe, Koskelo não ficou mal impressionado pelo incidente. Ele, cujo sobrenome vem de uma ave escandinava, acha que qualquer país está sujeito a problemas como esse, inclusive aqueles tidos como desenvolvidos. Koskelo apenas lamentou não ter pousado um pouco antes e ter perdido a oportunidade única de ver, de cima, São Paulo totalmente apagada.

Com ou sem blecaute, o vice-presidente do IFC, o braço de financiamento privado do Banco Mundial, diz que nos próximos anos os planos são de focar em três setores no país: microfinanças (incluído aí o financiamento a pequenas e médias empresas), educação e saúde e mudança climática. "Não podemos estar em tudo, então, vamos focar em segmentos mal atendidos, onde podemos fazer a diferença."

Fiel a essa estratégia, na semana passada, durante sua visita, o IFC fechou um financiamento de R$ 48,85 milhões para o BicBanco, exclusivamente para empréstimos a pequenas e médias do setor de saúde. Ao mesmo tempo, eram acertados os últimos detalhes para um investimento de R$ 12 milhões em participação acionária na Ideal Invest, empresa líder no fornecimento de crédito estudantil no país, que acessa 170 universidades e financia 10 mil alunos. "O Brasil ainda é muito mal atendido nessa área e uma boa educação faz toda a diferença", diz Koskelo, ele mesmo filho de uma família sem recursos que foi à universidade graças a empréstimos que tomou.

O IFC já tem parceria com a universidade Anhembi, para a qual emprestou US$ 12 milhões em 2006 e está em conversas com "várias outras faculdades do país", segundo informa Andrew Gunther, diretor gerente do IFC para Brasil.

O tema que mais entusiasma Koskelo é o de microfinanças. "No Brasil, a penetração inexiste", afirma, dizendo que menos de 1% da população é atendida (precisamente, 0,23%). "Estamos tentando estimular o segmento, e não tanto pelo dinheiro, mas por meio do conhecimento global do IFC na área e seu papel catalisador para atrair o investimento privado."

Nessa área, há conversas com diversas instituições e duas parcerias já em andamento. Uma com uma ONG do Maranhão, o Ceape, que recebeu empréstimo de R$ 3 milhões e tem carteira de R$ 30 milhões. E outra com o Tribanco, do Grupo Martins.

No mesmo segmento, o IFC já destinou US$ 1,2 bilhão a bancos médios brasileiros, com foco no financiamento a pequenas empresas. Essa é a maior fatia do portfólio de investimentos de US$ 2,1 bilhões com capital próprio do IFC no país, que só perde para Índia e Rússia.

 

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