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Aos poucos, setor privado avança no crédito estudantil

iG - coluna Seu Dinheiro, 7.julho.2010

Por muito tempo o governo ainda será a principal fonte de financiamento para os alunos do ensino superior que não têm condições de pagar a mensalidade da faculdade. Mas, segundo os especialistas no assunto, o setor privado está sinalizando maior interesse por esse mercado e começa a se movimentar para ampliar a oferta de crédito.

“O grande problema é a inadimplência, que costuma ser muito alta”, diz Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo). “Pela lei, as escolas não podem aplicar nenhuma penalidade a quem deixa de pagar as mensalidades. Isso deixa as instituições financeiras com um pé atrás. E os contratos ficam bastante engessados, têm que ser refeitos a cada semestre.”

Mesmo assim, o potencial do mercado atrai. Em 2008 (dados mais recentes disponíveis), apenas 6,2% dos estudantes do ensino superior se utilizavam de alguma forma de financiamento, porcentagem que veio caindo ao longo do tempo –em 2004, era de 8,1%. Nos EUA, mais de 50% dos alunos pedem crédito, que cobre também despesas com moradia e material escolar.

Então, começam a surgir produtos mais adequados à nova realidade da economia brasileira, de aumento da renda de uma grande parcela da população, a qual também está ávida por conhecimento e pela ascensão social que ele significa.

O Pravaler, da Ideal Invest, é um exemplo. Desde 2006, o programa oferece um financiamento que cobre o total dos custos do curso e pode ser quitado no dobro do tempo que dura a graduação. Mas o aluno já começa a pagar o empréstimo enquanto está na faculdade. Então, na prática, significa que vai desembolsar somente 50% da mensalidade (mais juros de até 1,89% ao mês) até o final do contrato. Algumas universidades até bancam os juros do empréstimo.

Como no caso do Fies, programa de financiamento estudantil do governo federal, é preciso que o estudante aponte um fiador.

Segundo Rafael Baddini, diretor de relacionamento do Pravaler, a taxa de inadimplência do programa está abaixo da média do mercado, mas ainda é cedo para estabelecer um padrão.

“É necessário algum tempo para que se forme um histórico e o setor privado entenda melhor o funcionamento desse tipo de crédito. Quando as instituições financeiras conseguirem compreender o que dá certo, como se pode flexibilizar as regras, qual é exatamente o risco, ficará mais fácil”, afirma Capelato.

 

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